Lembro, quando era pequena, de Lillian Witte Fibe fazer um comentário no Jornal Nacional sobre a necessidade de um programa noticiando apenas notícias felizes. Poucas coisas ficaram na minha memória de algo tão antigo (anos 90?) como esse comentário.

As três manchetes falando de morte.
Há um bom tempo, deparei-me com um texto falando sobre o excesso de tempo dos noticiários locais e suas consequências. Infelizmente, não encontrei o link desse artigo para embasar melhor meu raciocínio.
Utilizando como exemplo o Paraná e a RPC (afiliada da Rede Globo):
- Bom Dia Paraná: 3h30
- Meio-Dia Paraná: 1h30
- Boa Noite Paraná: 30 min
Em um único dia, temos 5h30 de notícias e informações para serem veiculadas? Principalmente o jornal matutino (quase de madrugada): três horas e meia?! Não assisto a esse jornal há tempos, porém lembro de longas participações dos telespectadores enviando fotos do sol nascendo, de geada, do jardim, tomando café com a TV ligada na Globo ao fundo…
Por quê? Para quê?
E por que isso me inquietou? Porque a mídia não busca mais informar, noticiar, comunicar. Busca entreter, prender a audiência e entristecer.
Para ocupar tanto espaço, imagino a pressão nas redações: “busque alguma tragédia para gerar impacto”, “traga alguma coisa inusitada”, “vamos falar sobre o que está bombando na internet” — ou não, talvez essa seja uma visão idealizada trazida de filmes e séries sobre jornalismo.
Voltando ao fio da meada: é muito tempo. Nada acontece de forma tão rápida para justificar tanto tempo. Um adolescente que morreu em um acidente em Nova Esperança é relevante?
É triste, muito triste. Precisamos realmente ser informados disso e ter nosso dia impactado por um fato tão triste? Seria uma pauta adequada a um jornal quando estamos começando nosso dia?
Mesmo se o foco do jornalismo fosse, como a Lilian sugeriu, trazer notícias felizes, haja notícia feliz para preencher tanto tempo. Falar de forma assertiva sobre o trânsito, a previsão do tempo, um fato político relevante, uma notícia cultural talvez fosse sensato.

Notícias assim me fariam sentir melhor.
No meio dessa onda de chocar, entristecer e amedrontar, encontrei o “Fix the News”.
Fix The News é uma organização de mídia independente, financiada pelo leitor, especializada em progresso: políticas que mudam a maré sobre a pobreza e o clima, vitórias de conservação, avanços na ciência e na medicina que raramente fazem manchetes, atos de coragem e compaixão que nos lembram o melhor do que os seres humanos são capazes.
É o jornalismo que restaura a perspectiva.
Porque nós precisamos saber que somos capazes de realizar feitos incríveis, que vivemos num mundo extraordinário e que há amor e compaixão onde nem imaginamos.