Posso considerar como uma leitura dupla: primeiro apenas a parte escrita pelo Asimov e depois a leitura do antes e depois – mas também a leitura do meio. Reler o meio depois de conhecer o antes fez muita diferença.
E este é meu primeiro comentário. Será que a parte do meio, sem a introdução do que ocorreu antes, estava tão direta e dura, que na segunda leitura se tornou mais fluída e fácil a leitura? Lembro de me embananar com os nomes e não decorar os personagens. Diferente do que aconteceu na leitura do todo.
Independente disso, foi uma leitura e tanto. Precisava de uma leitura que me tirasse um pouco do meu lugar e fizesse minha cabeça viajar. Asimov consegue. Até hoje, quase uma semana pós leitura, fico pensando num céu com até seis sóis simultâneos! Deve ser extraordinário! Imagina a quantidade de sombras.
Assim como deve ser fora do comum um mundo com um único sol, para aqueles que vivem uma realidade diferente.
A expressão para o livro pode ser esta: realidade diferente. Estamos tão presos à realidade atual que o novo não faz sentido, não é uma possibilidade e com certeza não precisa ser considerado.
No filme Devoradores de Estrelas a espécie do Rocky desconhece uma lei básica para nós (não lembro qual é agora) e fiquei pensando: como assim??? Como isso não é unânime, como isso não seria base de qualquer civilização quando avança no entendimento e conhecimento da ciência.
E por que seria, oras?
Questões.
Desconhecer um Kalgash 2 simplesmente por não vê-lo? Sim. Desconhecer um eclipse? Sim.
E de um lado temos cientistas e acadêmicos que nos últimos 2048 anos trouxeram muita ciência e conhecimento, mas em processo de negação de uma possível tragédia. De outro, fanáticos pregando o fim do mundo – sempre o mundo está acabando.
A saída no final, de fazer o que é possível abraçando os fanáticos para que haja um mínimo de retomada do conhecimento pela ciência é o que temos que fazer. E que nossos descendentes lidem com isso daqui uns 200 anos.
E um novo ano divido começa para Kalgash.
Isaac Asimov e Robert Silverberg
Nota: 4,5